Livro sobre greve geral de 1917 terá 2ª edição lançada nesta terça-feira, 19

Ricardo Fonseca, reitor da UFPR.

O professor Ricardo Marcelo Fonseca, que já lecionou no Luiz Carlos e é reitor da Universidade Federal do Paraná, lança nesta terça-feira, dia 19, às 18h30, no Círculo de Estudos Bandeirantes, em Curitiba, a 2ª edição do livro A Greve Geral de 1917 em Curitiba – Resgate da Memória Operária. A obra foi escrita em coautoria com o professor Maurício Galeb.

O livro é resultado de monografia que os dois autores produziram em 1990, para o bacharelado do curso de História. A primeira edição foi publicada em 1996 e agora, para marcar os 100 anos da greve, ganhou uma nova edição, já que a primeira estava esgotada.

Esta nova edição faz parte da coleção A Capital, da Factum Editora, e reconstitui os acontecimentos de julho de 1917, quando trabalhadores de Curitiba aderiram ao movimento iniciado em São Paulo alguns dias antes.

O livro retrata um país que vivia um cenário de alta de preços que minava o poder aquisitivo dos trabalhadores e, dentre as reivindicações da greve, constava a redução da jornada de trabalho, pontualidade no pagamento e assistência médico-hospitalar, entre outras.

Segundo Fonseca, não havia à época qualquer regulamentação trabalhista quanto à jornada de trabalho ou outros direitos. “Assim, havia muita exploração, não só de homens, mas de mulheres e crianças”, conta.

O movimento de 1917 foi inspirado no anarco-sindicalismo. Seus integrantes não queriam, segundo Fonseca, apenas uma paralisação geral, a primeira do Brasil, mas colocar a sociedade de cabeça-para-baixo. “Em Curitiba houve explosão de pontes, como a sobre o Rio Belém, para impedir o tráfego de alimentos para a cidade. Houve também interrupção da energia elétrica na cidade, com a derrubada de diversos postes, e bondes foram retirados dos trilhos. Os relatos da época não falam em mortes, mas foi um episódio violento”, diz.

Morte do sapateiro José Martinez teria sido o estopim deflagrador da greve de 1917.

Curitiba passou a integrar a relação de cidades que aderiram ao movimento após um comício na Praça Tiradentes. Durou seis dias e, de acordo com o livro, foi um dos eventos mais significativos do processo de conquistas dos direitos trabalhistas e previdenciários.

Fonseca destaca que não se identificavam lideranças do movimento, a não ser alguns nomes que constantemente apareciam em publicações operárias, como Octavio Prado, Bortolo Scarmagnan, Caetano Grassi e Giovanni Rossi, que depois de episódio nunca mais foram vistos.

O estopim deflagrador da greve, segundo historiadores, teria sido a morte do sapateiro José Martinez, morto pela polícia durante um piquete de greve nas portas da fábrica Mariângela, no bairro do Brás, em São Paulo.

Serviço:

Lançamento do 15° volume da coleção A Capital – A Greve Geral de 1917 em Curitiba – Resgate da Memória Operária

Data: 19 de dezembro, às 18h30

Local: Círculo de Estudos Bandeirantes – Rua XV de Novembro, 1050, Curitiba

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