Veja proposta – e versão definitiva – de texto trabalhado em Oficina de Redação

Professora Daniela Tatarin ministra a disciplina de Oficina de Redação.

No último sábado a professora Daniela Tatarin, de Oficina de Redação, trabalhou um texto com os alunos do curso de Aprofundamento do TJ-PR. O texto escolhido como exemplo foi a proposta 8.

A seguir,  veja a proposta, bem como uma possível resposta.

PROPOSTA 8

A falta de médicos, atrasos, grandes filas de espera e falta de equipamentos são algumas das dificuldades enfrentadas pelos brasileiros no que diz respeito à saúde.

Orçamento para saúde no Brasil fica abaixo da média mundial, revela OMS

O Brasil destina à saúde menos que a média mundial e mais da metade dos gastos acaba sendo pago pelo paciente. Dados publicados nesta quarta-feira, 17, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, em 2014, 6,8% do orçamento público do governo federal eram destinados ao setor, taxa que caiu desde 2010. No mundo, a média é de cerca de 11,7%.

O levantamento da OMS com governos de todo o mundo aponta que, ao longo dos anos, o volume de dinheiro destinado à saúde no Brasil aumentou. Ele era de apenas 4,1% do total dos gastos públicos em 2000. Em 2010, essa taxa subiu para 9,9%. Mas acabou sendo reduzida para 8,2% em 2011 e 7% em 2013. A taxa atingiu 6,8% em 2014, o último ano disponível pela contabilidade da OMS.

Atualmente, a taxa é ainda inferior à média do que se gasta na África, com 9,9% dos orçamentos nacionais para a saúde. Nas Américas, a taxa é de 13,6%, contra 13,2% na Europa.

Em alguns casos, a proporção destinada para a saúde em alguns países chega a ser três vezes o índice brasileiro. Nos Estados Unidos, 21,3% do orçamento nacional vai para a saúde, contra 22% na Suíça, 23% na Nova Zelândia e 20% no Japão. Em alguns países em desenvolvimento, o índice também é elevado. No Uruguai, ele chega a 20%, contra 23% na Costa Rica ou 24% na Nicarágua.

Em uma comparação ao PIB, a taxa no Brasil também é inferior à média internacional. No restante do mundo, cerca de 9,9% do PIB se refere A gastos na Saúde. No Brasil, a taxa está em 8,3%. No mundo, US$ 7 trilhões são gastos em saúde por todos os governos e cidadãos.

Gastos do paciente

Os dados também revelam que, apesar de certos avanços, mais da metade dos gastos de um paciente com a saúde sai de suas próprias economias, seja pelo pagamento de planos privados ou arcando com consultas e operações. No total, 53,9% dos gastos com a saúde no Brasil vem da renda dos cidadãos. Em 2000, essa taxa chegava a quase 60%. Mas a média mundial é de 39%.

Descontando planos de saúde, a OMS também destaca que 25% do custo com o setor no Brasil sai dos bolsos dos pacientes. Ainda que a taxa também seja considerada como alta, ela é inferior aos 36% registrados há dez anos.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda não atinge as taxas médias mundiais, de 18% do gasto com a saúde saindo do bolso do cidadão. “A pergunta que tem de ser feita é se os cidadãos estão recebendo os serviços que precisam ter sem passar por dificuldades financeiras”, disse Gretchen Stevens, analista da OMS, sem citar o nome de países.
http://istoe.com.br/orcamento-para-saude-no-brasil-fica-abaixo-da-media-mundial-revela-oms/

A partir da leitura do texto acima, redija um texto dissertativo-argumentativo em que discuta possíveis caminhos para se buscar a qualidade nos serviços de saúde oferecidos ao cidadão. Utilize, para isso, no máximo 30 linhas.

VERSÃO DEFINITIVA

Discutir saúde, no Brasil, deixou de ser assunto exclusivo a governantes, universidades ou conselhos profissionais. Ou quem sabe ainda àqueles que se interessam pelo tema. Vem das telas dos cinemas a última grande polêmica. A partir das tragédias presentes em Sob pressão, filme de Andrucha Waddington, o caos do atendimento médico brasileiro voltou a apontar entre os tópicos mais citados em mídias sociais, por exemplo. No filme, a equipe do hospital – público e desprovido de muitos recursos e equipamentos – precisa decidir entre operar, primeiro, a criança, o bandido ou o policial. Vivenciam e evidenciam, assim, a fragilidade do sistema nos aspectos estrutural e financeiro, caminhos necessários à qualidade no que se oferece à população.

Em relação a equipamentos, medicamentos e até mesmo recursos humanos (de médicos a auxiliares de serviços gerais), a deficiência é gritante, apontando a falência estrutural do sistema. E se engana quem pensa que problemas assim pertencem apenas ao serviço público. Há, também, hospitais particulares sofrendo do mesmo mal, embora em menor proporção. O fato de se pagar pelo serviço já não é tão relevante assim, como há alguns anos. É necessária uma readequação estrutural dos serviços, principalmente em função do aumento populacional. Seguir os padrões da OMS quanto ao número de leitos por população é uma das alterações a serem feitas e, certamente, irá exigir a ampliação dos espaços físicos.

Além e em função disso, reorganizar o aspecto financeiro é urgente, visto que nada se constrói ou amplia sem investimento. Não só as instalações receberão recursos e serão ampliadas, mas também o bolso do cidadão, desonerado. Isso porque, segundo dados da OMS, o ideal em relação à parte que compete ao usuário do sistema de saúde deve ficar, em média, em 19%. Hoje, este percentual é quase três vezes maior, chegando a, aproximadamente, 58%.

Assim, conciliar maiores recursos financeiros e reestruturação do sistema, principalmente no que diz respeito à ampliação para maior atendimento, são caminhos a serem seguidos em busca da qualidade nos serviços prestados à população, independentemente de ser ela carente, ou não. Está na hora de cuidar da saúde da Saúde, para que ela não continue sob pressão.

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